Cinco princípios da arquitetura moderna de Le Corbusier
Planta Livre de Estrutura: através de uma estrutura independente, permite a livre locação das paredes, já que estas não mais precisam exercer a função estrutural.
Fachada Livre de Estrutura: assim como a Planta Livre, resulta da independência da estrutura. Assim, a fachada pode ser projetada sem impedimentos.
Pilotis: sistema de pilares que elevam o prédio do chão, permitindo o trânsito por debaixo do mesmo.
Terraço Jardim: transfere o solo ocupado pelo edifício para cima na forma de um jardim, podendo, assim recuperá-lo.
Janelas em Fita: possibilitadas pela fachada livre, permitem uma relação desimpedida com a paisagem.
Oscar Niemeyer
Oscar Niemeyer (1907/2012) é o maior expoente da arquitetura modernista brasileira. Nascido no Rio de Janeiro, em 1907, formou-se na Escola de Belas Artes, na mesma cidade e ganhou notoriedade internacional pelas formas curvas que aplicava em suas construções.
Niemeyer começou a trabalhar como estagiário junto a Lúcio Costa e Le Corbusier no projeto do novo edifício do Ministério da Educação, o Palácio Gustavo Capanema . Seu primeiro grande projeto individual, e que lhe assegurou renome no Brasil e no mundo foi o complexo da Pampulha, em Belo Horizonte.
Logo após a Segunda Guerra Mundial, a ONU resolveu erguer uma sede em Nova Iorque. E em vez de anunciar um concurso para o projeto do complexo, preferiu montar uma equipe de arquitetos de diversos países para a composição do projeto. O arquiteto americano Wallace Harrison foi o diretor de planejamento e os governos dos países indicaram seus representantes.
A equipe de arquitetos consistiu em N.D. Bassov (União Soviética), Gaston Brunfaut (Bélgica), Ernest Cormier (Canadá), Le Corbusier (França/Suíça), Liang Ssu-cheng (China), Sven Markelius (Suécia), Oscar Niemeyer (Brasil), Howard Robertson (Reino Unido), G.A. Soilleux (Austrália) e Julio Villamajo (Uruguai).
O comitê apreciou 50 estudos diferentes antes de chegar a uma decisão. O desenho derivou de uma proposta de Niemeyer/Corbusier.
Mas o projeto que realmente colocou Niemeyer num patamar único foram os edifícios de Brasília, cujo projeto urbanístico foi desenhado por Lúcio Costa. Este convidou o arquiteto com quem já trabalhara no edifício do MEC para projetar todos os edifícios públicos da nova capital – e modelar também os prédios das superquadras residenciais.
Um de seus últimos projetos foi o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, uma cúpula circular com 16 metros de altura que resultou em uma solução estrutural radial, dividida em seis setores. Uma rampa de concreto exterior leva os visitantes, através de 98 metros de espaço livre, até as entradas aos andares superiores.
Oscar Niemeyer ganhou o prêmio Pritzker de arquitetura, em 1988. Ele continuou em atividade até sua morte, em 2012, após extensa carreira. Uma de suas últimas obras concluídas foi a Torre de TV Digital em Sobradinho, Distrito Federal.
Pampulha e seus edifícios
https://www.youtube.com/watch?v=FXlgoyH3_uc
Cassino — atual Museu de Arte Moderna
O Cassino da Pampulha foi a primeira obra do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Pampulha a ser construída. Inaugurado em 1943, o espaço foi projetado com o objetivo de servir às atividades de lazer dos indivíduos abastados. Equipado com sala de jogos, pista de dança, restaurante e bar, na década de 1940 o Cassino se tornou referência ao confluir diversão e glamour. Cenário procurado não somente pelos ricos residentes na capital Mineira, mas também por outros vindos do interior e de fora do estado ou até mesmo do exterior.
Assim como as demais edificações projetadas para o conjunto na orla da lagoa da Pampulha, o Cassino não foi construído nos parâmetros arquitetônicos de um prédio convencional. Sua forma, envolvendo retas e curvas, surpreende pela originalidade dos elementos. Na entrada o chão é de mármore português, e no segundo pavimento, o piso é de peroba. O toque moderno vem da estrutura de concreto armado, das esquadrias de ferro e das colunas interiores revestidas de aço inox. As rampas tomam o lugar das escadas servindo aos frequentadores do lugar, como lembrado por seu projetista, Oscar Niemeyer: “Fiz este projeto em uma noite, não tive alternativa. Mas quando funcionava como cassino, cumpria bem suas finalidades, com seus mármores, suas colunas de aço inoxidável, e a burguesia a se exibir, elegante, pelas suas rampas”.
No exterior do Cassino os jardins delineados pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), foram adornados pelas esculturas Abraço, Nu, Sem Nome e A Porta de Alfredo Ceschiatti (1978-1970), August Zamoyski (1893-1970), José Pedrosa (1915-1989), e de Almicar de Castro, nessa sequencia.
Em 1946, o Cassino da Pampulha estava na rota das principais casas de jogos do país, dentre as quais se destacavam o Palácio Quitandinha em Petrópolis e o Cassino da Urca, no Rio de Janeiro. Todos administrados pelo empreendedor mineiro Joaquim Rolla. Mas aqueles primeiros anos de sucesso do Cassino da Pampulha ficariam marcados na memória dos que tiveram a oportunidade de desfrutar das atrações oferecidas no espaço. Somente três anos após sua inauguração, em 30 de abril de 1946, o então presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra, proibiu os jogos de azar no país. Dentre outros argumentos, foi apontado que as práticas realizadas nos cassinos “decorreram abusos nocivos à moral e aos bons costumes”. Com o fechamento dos cassinos, de certo modo, os frequentadores da Pampulha assistiram ao esvanecimento de parte do brilho ao qual o lugar estava envolto.
Após o encerramento de suas atividades, o espaço passou a servir apenas à realização de apresentações culturais e recepções. Foi somente em 1957 - onze anos após a instauração do decreto de lei que proibiu a prática ou exploração de jogos de azar em todo o território nacional-, que o espaço recebeu, oficialmente, uma nova função.
Com o estímulo do empresário de comunicação e mecenas, Assis Chateaubriand, foi criado nas dependências do antigo Cassino, o Museu de Arte da Pampulha (MAP), a partir da Lei Municipal nº 674, de 23.12.1957. Nessa época, as políticas públicas culturais em Belo Horizonte eram gerenciadas pelo então Departamento de Educação e Cultura - DEC -, regulamentado pelo Decreto-lei nº 209, de 11 de novembro de 1947 e, mais tarde, pela Lei Municipal nº 333, de 23 de maio de 1953 e que se encarregava, dentre outras competências, de administrar os Salões de Belas Artes que se sucediam anualmente desde a década de 1940.
Em 1969, ao passar a receber obras de artistas de todo o país, os Salões Municipais de Belas Artes passaram a ser denominados: Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte. Os melhores trabalhos apresentados no Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte eram condecorados com um prêmio e expostos no Museu de Arte da Pampulha, que passava a incorporar as obras vencedoras ao seu acervo. Em 2010, cerca de 40% do acervo era composto por peças advindas dos salões nacionais.
Atualmente o museu contribui com a promoção do Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte, e realiza em seu espaço diversas atividades culturais. Periodicamente o MAP expõem obras do acervo e apoia a divulgação das produções de artistas contemporâneos tanto nas artes plásticas, quanto na música.

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